Minas Gerais

RESISTÊNCIA

BH: Sob a viola, Armazém do Campo tem festa de apoio à população da América Latina

Projeto Quarta Inviolada acontece nesta quarta (20), a partir das 19h30

Belo Horizonte |
“Falar da América Latina que está se levantando é também falar ao Brasil, que a gente precisa se levantar"
“Falar da América Latina que está se levantando é também falar ao Brasil, que a gente precisa se levantar" - Reprodução Armazém do Campo

Como forma de enviar uma mensagem de apoio aos cidadãos da América Latina, principalmente do Chile e da Bolívia, acontece na capital mineira o evento “Que se levantem todas as bandeiras”. A partir das 19h30 se reúnem, no Armazém do Campo, Belo Horizonte, mais de 10 artistas.

Para Guê Oliveira, uma das artistas que se apresentam e integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), esse apoio tem o objetivo de demonstrar que os brasileiros estão ao lado dos direitos humanos fundamentais, como o direito à vida. O Chile passa por um levante popular, enquanto a Bolívia sofre um golpe político, mas as populações de ambos enfrentam a violência policial.

“Falar da América Latina que está se levantando é também falar ao Brasil que a gente precisa se levantar e que a gente beba da fonte dessa luta de resistência dos outros países”, afirma Guê. “O evento é uma forma de fazer isso reverberar em nosso país”.

O mesmo afirma o artista Pereira da Viola, que junto com o MST organiza o projeto Quarta Inviolada. “Há uma preocupação nossa de ter momentos de esclarecimentos às pessoas que estarão assistindo aos shows, para denunciarmos o que está acontecendo, principalmente na Bolívia. Pois a nossa impressão é que muito poucas pessoas têm informações do que está se passando”, diz.

“Si Se Calla El Cantor”

Ao lembrar da situação na América Latina, em qual música Pereira da Viola pensa? “A primeira que me vem na cabeça é a Si se calla el cantor, que retrata esse momento nosso no Brasil. ‘Que se levanten todas las banderas / Cuando el cantor se plante con su grito / Que mil guitarras desangren en la noche / Una inmortal canción al infinito'. Todas as vezes que eu vejo as imagens é a primeira música que me vem à cabeça. A gente está muito quieto perante as atrocidades que estão acontecendo, e esse golpe com intenções mercadológicas e domínio de território é o próprio neoliberalismo em crise e querem resolver jogando nas costas do povo, o povo pobre”.

Si Se Calla El Cantor, de Mercedes Sosa

Si se calla el cantor calla la vida

Porque la vida, la vida misma es todo un canto

Si se calla el cantor, muere de espanto

La esperanza, la luz y la alegría

Si se calla el cantor se quedan solos

Los humildes gorriones de los diarios,

Los obreros del puerto se persignan

Quién habrá de luchar por su salario

'Que ha de ser de la vida si el que canta

No levanta su voz en las tribunas

Por el que sufre,´por el que no hay

Ninguna razón que lo condene a andar sin manta'

Si se calla el cantor muere la rosa

De que sirve la rosa sin el canto

Debe el canto ser luz sobre los campos

Iluminando siempre a los de abajo

Que no calle el cantor porque el silencio

Cobarde apaña la maldad que oprime,

No saben los cantores de agachadas

No callarán jamás de frente al crimén

'Que se levanten todas las banderas

Cuando el cantor se plante con su grito

Que mil guitarras desangren en la noche

Una inmortal canción al infinito'

Si se calla el cantor... Calla la vida

Quarta Inviolada Especial

Data: 20/11, às 19h30

Local: Armazém do Campo, Avenida do Contorno, 9894

Edição: Joana Tavares