Impunidade

MST ocupa a mineradora Vale em Mariana (MG) no aniversário de seis anos do crime ambiental

Em novembro de 2015, 19 pessoas morreram após o rompimento da barragem de Fundão

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Com o lema “O lucro não vale a vida”, os trabalhadores têm como objetivo denunciar o modelo de mineração no país - MST/Divulgação

Cerca de 500 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a entrada da Mineradora Samarco, em Mariana (MG). A ocupação se deu juntamente com o Levante Popular da Juventude e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).  

Com o lema “O lucro não vale a vida”, os trabalhadores têm como objetivo denunciar o modelo de mineração no país, que consideram como “modelo de morte”, “cuja impunidade tem sido a marca diante dos crimes cometidos por empresas como a Samarco, a Vale e BHP no estado de Minas Gerais”.  

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Nesta sexta-feira (5), completam-se seis anos do rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, que matou 19 pessoas da região. 

Trabalhadores e trabalhadores em frente à Samarco contra a impunidade da empresa pelos crimes ambientais (Foto: MST/Divulgação)

Para Silvio Netto, da Direção Nacional do MST, o crime da Samarco em Mariana e o rompimento da barragem de Brumadinho, também em Minas Gerais, em janeiro de 2019, que matou 272 pessoas, mostram como o modelo de mineração atual resulta em graves problemas

“É importante ressaltarmos que esse modelo de mineração cria problemas ambientais e sociais, gera baixa arrecadação aos municípios, cria dependência e empregos que oferecem risco a toda a população mineira. Enquanto isso, toda a riqueza explorada beneficia o capital estrangeiro, materializado em empresas como a Samarco, a Vale e a BHP”, afirma Netto. 

Cristiano Meireles, da direção estadual do MST, comemorou a recepção dos trabalhadores da Samarco com relação à ocupação. "Um outro ponto importante foi a recepção do conjunto dos trabalhadores dessas empresas multinacionais que têm muita propaganda, mas que têm uma prática ruim no que diz respeito aos direitos. Então, os trabalhadores nos receberam com muita alegria, nos incentivando e nos colocando mais responsabilidade ainda, porque saímos daqui convictos que é preciso unir os trabalhadores."

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Trabalhadores e trabalhadores em frente à Samarco contra a impunidade da empresa pelos crimes ambientais (Foto: MST/Divulgação)

Seis anos depois, os produtores rurais do município de Mariana, atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão denunciam que não estão recebendo a alimentação adequada para a criação de animais. Isso tem levado ao adoecimento e morte de animais, prejuízos financeiros e destruição de uma das principais atividades econômicas da região, a pecuária. Há também famílias que perderam renda, mas não recebem o auxílio financeiro emergencial. 

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Em 2016, como mitigação, o Ministério Público de Minas Gerais e a empresa acordaram o pagamento, às famílias que perderam renda, do auxílio financeiro emergencial, em um salário mínimo mais 20% por dependente menor, além do valor de uma cesta básica. Atualmente, a administração do recurso e o pagamento desse direito está sob responsabilidade da Renova, uma fundação criada em 2016, vinculada às mineradoras. 

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Outra medida de mitigação acordada é a garantia de alimentação aos animais, visto que, com a contaminação do solo pelo rejeito da Samarco, cresceu a demanda por feno e silagem para o gado. Porém, atingidos apontam que têm recebido material vencido, mofado, apodrecido, em quantidades insuficientes, às vezes de maneira irregular. Também há queixas de plantio de capim em terreno onde houve contaminação pela lama.

Procurada, a Samarco afirmou em nota que "segue firme em seu compromisso com as ações de reparação e compensação dos impactos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, que jamais serão esquecidos pela empresa".

Informou ainda que "reafirma, mais uma vez, seu comprometimento com a reparação de danos e com o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) firmado, em março de 2016, pela Samarco e seus acionistas, Vale e BHP, governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo e outras entidades". A empresa também disse que até agora foram indenizadas 336 mil pessoas.

 

Edição: Vivian Virissimo