Minas Gerais

Coluna

Comitês populares de luta: lição histórica e necessidade atual

Imagem de perfil do Colunistaesd
Imagem: - Aline Oliveira
Sem a participação dos trabalhadores na política não é possível superar as estruturas desigualdades

O esforço de construção dos comitês populares de luta representa um dos processos mais importantes da conjuntura brasileira, do ponto de vista das forças populares. Embora ainda muito incipiente, a iniciativa expressa uma necessidade fundamental para o avanço das lutas e conquistas do povo brasileiro.

A organização dos comitês populares de luta, posta a cabo pelo conjunto de partidos, movimentos e organizações que compõem a Frente Brasil Popular, representa uma tentativa de construir uma ação, um esforço concentrado, de organização das massas populares em todo o país.

Um dos eixos fundamentais da estratégia dos comitês populares de luta consiste em transformar a força eleitoral do ex-presidente Lula em força organizada na sociedade, construindo uma relação mais orgânica dos trabalhadores, das camadas populares e aumentando sua participação no debate político e nas lutas do povo brasileiro.

:: Receba notícias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::

A ideia é organizar núcleos nos bairros, comunidades, assentamentos, por local de estudo, trabalho, lutas setoriais etc., com o objetivo de debater com os trabalhadores e com a sociedade um projeto popular para o Brasil, refletir sobre a candidatura de Lula, propor ações, atividades, e com isso contribuir para elevar o nível de consciência e participação do povo e da militância.

O fundamental a ser compreendido nesse esforço de organização das massas populares é que ele não emerge apenas e exclusivamente da vontade das organizações e das lideranças, ou mesmo da teoria política na forma de um apelo idealista. O esforço emerge impulsionado como resultado, como decorrência de uma “lição histórica” dada pelo golpe de 2016, pela Lava Jato, pela eleição de Bolsonaro, que escancarou para a sociedade o caráter de classe e antidemocrático das instituições e das classes dominantes brasileiras.

É evidente que na sociedade brasileira desigual e autoritária, a existência do regime democrático, das conquistas democráticas, dos direitos trabalhistas, sociais, dos direitos humanos, dependem fundamentalmente das forças populares, ou seja, do nível de consciência, de organização e de luta dos trabalhadores. O que tantas vezes já se disse, foi possível ver na prática: no Brasil, a democracia é uma conquista dos trabalhadores e do campo popular.

Nesse sentido, a organização dos comitês é um processo que tem base histórica, não é apenas um chamado voluntarista ou idealista, mas tem raízes no processo histórico real, em que as classes populares experimentam concretamente e tomam consciência das consequências deste processo.

Ação antifascista

Entretanto, por outro lado, é importante observar que os comitês populares de luta emergem também da necessidade atual da luta contra o fascismo no Brasil. Da necessidade de fortalecer a organização dos trabalhadores e da sociedade em geral para lutar pela democracia, para lutar contra as ameaças golpistas e autoritárias do bolsonarismo, que se nega a aceitar o resultado das eleições, a validade das urnas eletrônicas, e que utiliza da violência como instrumento político.

A atual configuração da luta de classes no Brasil deixa explícito que a luta contra o fascismo/bolsonarismo no Brasil demanda uma maior atenção e ênfase das forças populares em relação a uma política de mobilização de massas e de trabalho de base. É preciso romper com o imobilismo, com o burocratismo e fortalecer o ativismo social e político entre a militância e na sociedade.

:: Leia mais notícias do Brasil de Fato MG. Clique aqui ::

De modo que, sem uma participação ativa e consciente dos trabalhadores e das camadas populares na política, não é possível superar as estruturas desiguais e autoritárias da sociedade brasileira.

Assim, o esforço militante que tem resultado na organização dos comitês populares de luta por todo o Brasil tem o objetivo formar uma base social popular organizada, que seja consciente da necessidade de apoiar a eleição do ex-presidente Lula e um possível mandato. E que esteja organizada e atuante para defender nas ruas, nas urnas, nos bairros e nas redes a implementação de um projeto popular para o Brasil.

Por isso, é fundamental que a política de atuação por meio dos comitês populares de luta continue após as eleições e durante um possível mandato do ex-presidente Lula. O campo popular não pode abrir mão de uma política de organização e de trabalho de base para o próximo período. É uma lição histórica e uma necessidade atual.

José Henrique Singolano Néspoli é professor, educador popular e doutor em História.

--

Este é um artigo de opinião e a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal

Edição: Larissa Costa