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O projeto das elites contra os pobres: entre a desinformação e as fake news

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"Para isso, seja comunicação comercial e empresarial, ou mesmo as Big Techs - com seus algoritmos -, se fortalecem com a indústria das notícias falsas e a proposital campanha de desinformação. " - Foto: Freepik
Construir frentes contra hegemônicas é possível

O contexto midiático de criminalização da pobreza e das pessoas pobres traz consigo prejuízos concretos na vida da população brasileira. A construção da narrativa meritocrática e a desinformação estabelecem um modelo de certos e errados para a vida que geram desumanidade.

A luta pela democratização da comunicação passa pela necessidade da comunicação em grande escala, além de afirmar a comunicação como um direito humano. Só assim combateremos o projeto de criminalização da pobreza, que tem como principal sustentação ideológica emissoras de rádio, tv e redes sociais.

Para a direita brasileira, o papel do Estado na vida das pessoas pobres, em especial das mulheres e da juventude negra, é a ação policial e leis mais severas. As grandes audiências que essas ideias reacionárias ganham trazem significados catastróficos.

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Se naturaliza o genocídio das pessoas pobres, escondendo as causas econômicas que estruturam a desigualdade social. Ao afirmar que os ricos são ricos por mérito pessoal – o que é uma falácia – na verdade se busca esconder a necessidade de democratizar a riqueza.

Faz parte do projeto de criminalização das pessoas pobres e da pobreza a morte de jovens negros e negras; a invisibilidade das pessoas em situação de rua; a fome; a criminalização dos corpos trans e o aplauso aos crimes cometidos pelo Estado no sistema prisional.

Para isso, seja comunicação comercial e empresarial, ou mesmo as Big Techs  - com seus algoritmos -, se fortalecem com a indústria das notícias falsas e a proposital campanha de desinformação.

Esse projeto das elites brasileiras e transnacionais silenciosamente desumaniza as relações coletivas, fomenta a diminuição do Estado e dos direitos sociais.

Não podemos ficar em silêncio frente aos massacres ocorridos nas favelas e no campo brasileiro. Cotidianamente assentamentos e acampamentos rurais e a luta pela reforma agrária tem sido alvo de ataques orquestrados nas redes sociais e imprensa empresarial. O mesmo acontece com a população nas periferias que sofrem com a invasão policial em seus territórios, sem qualquer sustentação judicial.

Construir frentes contra hegemônicas é possível. É preciso que valorizemos as mídias e redes que apresentam conteúdo crítico e comprometido com a defesa da democracia e dos direitos humanos. Precisamos nos comprometer com a democratização das comunicações, para ampliar vozes como as nossas vozes, tornando os espaços de construção, espaços de trocas e ensinamentos.

Nossa resistência, no hoje, continua sendo mais do que necessária. Como educa Conceição Evaristo, combinaram de nos matar, mas nós, combinamos de não morrer!

 

Leonardo Koury Martins é assistente social, doutorando em Serviço Social pela UFJF e integra a coordenação do Fórum Nacional de Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único de Assistência Social (FNTSUAS).

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Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal.

Edição: Elis Almeida