Minas Gerais

RECONHECIMENTO

Escola do Aglomerado da Serra, maior favela de BH, pode ganhar prêmio de melhor do mundo

Escola Municipal Professor Edson Pisani é uma das três finalistas na categoria “colaboração comunitária”

Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG |
Entre os projetos da escola, o “+ Favela - Lixo” se destaca ao propor soluções para ajudar a manter a comunidade limpa. - Foto: Ana Carolina Vasconcelos

Ao ser perguntada sobre o que mais gosta na escola, a estudante Ana Melissa Silva, de apenas 7 anos, responde sem hesitar: “cuidar da favela”. Ela é aluna da Escola Municipal Professor Edson Pisani, que fica no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, e pode ganhar um prêmio de melhor do mundo pela colaboração comunitária.

Nos próximos meses, a instituição, que possui aproximadamente 600 alunos matriculados, com idades entre 6 e 69 anos, concorre com outras duas escolas finalistas, uma da África do Sul e outra dos Estados Unidos, ao prêmio Melhores Escolas do Mundo, criado pela T4 Education. Ao todo, 108 países participaram da seleção.

Entre as ações desenvolvidas pela Escola Municipal Professor Edson Pisani, o projeto “+ Favela - Lixo” ganhou destaque ao propor soluções para ajudar a manter a comunidade limpa. Uma das propostas foi pregar guinchos nas paredes, para que os moradores pudessem colocar suas sacolas de lixo, evitando que animais espalhassem os resíduos nas ruas.

:: Receba notícias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::

“A escola ajuda a pegar o lixo, pendurar, reciclar. Aí, deixa a nossa favela mais limpa, mais cheirosa e bonita”, destaca Ana Melissa, orgulhosa do resultado do trabalho.

Lixo não é só uma questão da favela

Floricena Estevam Carneiro da Silva, professora que inscreveu o projeto para concorrer à premiação, conta que a demanda surgiu dos próprios estudantes, muitos deles moradores da comunidade.

“Começamos com as turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nós elaboramos vários projetos e sempre aparecia a questão do lixo. A partir do que já vínhamos conversando, no retorno das aulas presenciais, pós pandemia, nós pensamos um trabalho específico com a questão do lixo”, relata.

“O lixo não é só uma questão da favela, é uma questão do mundo. E, nós começamos a conversar e a pensar possibilidades de intervenção e de ações. Fizemos alguns experimentos, inclusive dentro da escola, em parceria com catadores e recicladores aqui da comunidade. E um desses experimentos foram as placas ganchos, mas não é apenas essa ação”, complementa Floricena.


“O lixo não é só uma questão da favela, é uma questão do mundo" / Foto: Ana Carolina Vasconcelos

Instalação de lixeiras, fabricação de pequenas estruturas de contenção para estabilizar terrenos e criação de jardins em antigos lugares utilizados para descarte de lixo são algumas das outras ações desenvolvidas pela escola. Tudo isso com um trabalho permanente de conscientização das famílias.

O projeto acontece em parceria com a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e os alunos das duas instituições vivenciam um intercâmbio de conhecimentos, com momentos de formação nos dois espaços.

“As questões da comunidade, são as questões da escola”, diz diretora

Ainda que a premiação venha apenas neste ano, a Escola Municipal Professor Edson Pisani possui três décadas de um olhar atento às necessidades da comunidade. O Aglomerado da Serra é a maior favela da capital mineira e uma das mais antigas do Brasil.


A escola ajudou a Aglomerado da Serra a conquistar o "Busão da comunidade” / Foto: Ana Carolina Vasconcelos

A diretora da escola, Eleusa Fiuza, relembra que durante muito tempo a instituição foi o único aparelho público da comunidade.

“Nosso foco sempre foi um trabalho de muita parceria com a comunidade. A gente brinca que essa escola não tem muro. As questões da comunidade, são as questões da escola. São vários projetos que a gente já desenvolveu e várias conquistas da comunidade foram cavadas aqui dentro da escola”, afirma.

Foi também com a mobilização provocada pela escola que, em 2017, os moradores conquistaram uma linha de ônibus, o S19, apelidado de “Busão da comunidade”, que liga a favela à estação de metrô, ampliando o direito das famílias ao acesso à cidade.

“Quando a gente chegou aqui, a escola era o único equipamento público que existia, até para as pessoas usarem o telefone. Sempre tivemos essa parceria e nos consideramos um ponto fundamental de apoio à comunidade. Nós conseguimos, por exemplo, um ônibus para a comunidade, que antes não existia, e foi um trabalho feito dentro da escola com a comunidade”, destaca Eleusa.

Se for escolhida a melhor do mundo, a escola receberá um prêmio de US$ 50 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 250 mil, que será destinado para ampliar as iniciativas de coleta de lixo desenvolvidas pela instituição.

A escolha da escola premiada foi feita por votação pública, neste site, e o resultado será divulgado em novembro deste ano.

 

 

Edição: Larissa Costa