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Editoral | Zema: governo para mineradoras, empresários e elites

Zema e Bolsonaro guardam muito semelhanças entre si, ambos autoritários e neoliberais.

Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG |
Assim como o presidente, Zema parece um garoto mimado que faz de tudo para conseguir o que quer. - Divulgação

Quase quatro anos se passaram desde que Romeu Zema (Novo) foi eleito govenador. Na época da campanha, o empresário prometia ser a novidade, já que não se considerava um político. No entanto, hoje, esse discurso não cola mais. Zema se mostrou mais do mesmo esquema: governa para as mineradoras, para os empresários e para as elites mineiras. É a velha política sem tirar nem por.

Do ponto de vista fiscal, o Estado hoje está mais endividado do que em 2019. Para piorar, uma negociação entre Zema e Bolsonaro fez com que Minas abrisse mão de mais de R$ 100 bilhões que o estado perdeu com a lei Kandir. Aliás, os dois guardam muito semelhanças entre si. Ambos autoritários e neoliberais, que retiram direitos dos trabalhadores, atacam o funcionalismo e os serviços públicos, desmontam a educação e a saúde.

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Assim como o presidente, Zema parece um garoto mimado que faz de tudo para conseguir o que quer. A insistência em aprovar a adesão de Minas Gerais ao Regime de Recuperação Fiscal, proposto pelo governo federal, demonstrou o quão antidemocrático é: mesmo com a resistência dos movimentos sindicais e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Zema recorreu ao STF. E, rapidamente, obteve a autorização para impor a medida a população mineira. Medida essa que fracassou no Rio de Janeiro, primeiro a aderir ao projeto.

Além de verem a dívida saltar, os cariocas passam por congelamento de salários, suspensão de concursos públicos e privatização de estatais. Todas exigências da adesão ao Regime de Recuperação Fiscal.

O que acontecerá em Minas Gerais, com as nossas estatais, como a Cemig e a Copasa? Em tempos de tanta desigualdade, da convivência com a fome, do aumento da violência, torna urgente repensar que governantes queremos. E Zema já mostrou a que veio. Não nos enganemos com a cara de bom moço.

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Por um projeto popular

Estamos às vésperas das eleições que, neste ano, têm caráter estratégico para nós que temos o compromisso de repensar o Brasil e apresentar medidas que resolvam os problemas do nosso povo. E para isso, as eleições são só uma parte do nosso desafio. Para além de presidente e governador, precisamos eleger deputadas e deputados comprometidos com as lutas sociais.

Mas sabemos que tudo isso ainda será pouco. Pensar um projeto de sociedade significa transformar estruturas que, historicamente, mantém os povos vulneráveis, os trabalhadores precarizados, as mulheres violentadas e a juventude negra na mira da polícia.

Este sim é o nosso maior desafio, fazer do processo eleitoral mais um passo na busca por uma vida plena para todas as pessoas.

Edição: Elis Almeida