Minas Gerais

DE OLHO NA VITÓRIA

Para lideranças de Minas, campanha de Lula para o segundo turno deve focar em propostas

Petista já saiu à frente no primeiro turno. Deputados e movimentos avaliam que é possível aumentar votação no estado

Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG |
Mesmo com a vantagem, a campanha de Lula busca o crescimento da votação no estado. - Foto: Ricardo Stuckert

Além da confirmação da presença de Lula (PT) em ato com apoiadores nas ruas da capital mineira, no próximo domingo (9), partidos políticos e movimentos populares envolvidos na campanha do petista traçam estratégias para ampliação de votos no estado.

Minas é considerado estratégico para quem quer chegar à Presidência da República. Desde 1945, apenas um presidente venceu as eleições sem ganhar entre o eleitorado mineiro. Na votação de domingo (2), Lula saiu à frente no estado com 48,3% dos votos, contra 43,6% de Jair Bolsonaro (PL), com quem irá disputar o segundo turno.

O resultado reafirma a tendência de a votação em Minas ser um “espelho” da votação do total no Brasil. Nacionalmente, o petista obteve 48,4% e o candidato à reeleição 43,2%.

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Mesmo com a vantagem, a campanha de Lula busca o crescimento da votação no estado. Enquanto o ex-presidente teve a preferência em sete das regiões mineiras, Jair Bolsonaro venceu em quatro.


Crédito / Brasil de Fato MG

Nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri, além do Norte de Minas, o petista teve mais de 60% dos votos. Já na região Centro-Oeste, o candidato do PL ficou mais de dez pontos à frente de Lula, com 50,8% contra 40,7%. Na capital mineira, Jair Bolsonaro também obteve mais votos.

Principal tarefa é apresentar propostas

Reeleita com a votação mais expressiva do campo da esquerda, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) avalia como vitorioso o desempenho de Lula no primeiro turno, em Minas Gerais. Ela acredita que, para consolidar a vitória no segundo turno, é preciso intensificar o diálogo com a população sobre o programa do petista.

“A primeira tarefa é dizer quais são as propostas do Lula. Votamos nele porque o que propõe fazer como presidente é uma resposta contundente a tudo o que a população brasileira tem sofrido”, disse Beatriz, ao Brasil de Fato MG.

Entre as questões para serem resolvidas na vida da população mais carente, a deputada cita o combate à fome e a ampliação de ofertas de emprego.

Para reduzir o desemprego, o programa de Lula propõe a elaboração de uma nova legislação trabalhista que garanta, por exemplo, a proteção aos trabalhadores autônomos, considerados em situação de maior precariedade.

Apresentada como eixo central para um possível terceiro mandato, em resposta ao aumento da quantidade de brasileiros em situação de insegurança alimentar, o petista promete oferecer à população segurança alimentar e nutricional.

Diálogo com o povo e combate às fake news

No estado, além de buscar ampliar as alianças com partidos que já declaram apoio ao petista nacionalmente e dialogar com representantes políticos do campo democrático, o comando da campanha de Lula aposta em um processo direto com a população.

Presidente do PT de Minas Gerais, o deputado estadual Cristiano Silveira, também reeleito, conta que a principal tarefa dos apoiadores de Lula é focar na construção de agendas de mobilização e de busca ativa por votos.

“Temos que trabalhar direto. Agora é rua, caminhada e redes sociais para poder ampliar a presença do Lula. Temos também a expectativa de presença dele no estado, pelo menos duas ou três vezes até a votação”, conta.

Cristiano ainda orienta a necessidade de preparo para enfrentar a rede de produção de notícias falsas, as fake news.

“Já vimos algumas fakes circulando e temos que nos organizar para poder respondê-las. É lamentável que tenhamos que trazer a campanha para esse campo. Ao invés de debatermos quais são as melhores propostas, temos que ficar desmentindo a indústria de fake news”, completou.

Disputa de indecisos

Neste ano, Minas registrou mais de 3,5 milhões de abstenções. Além disso, dois outros candidatos obtiveram mais de 1% dos votos válidos para Presidência, Simone Tebet (MDB), com 4,17%, e Ciro Gomes, com 2,58%.  O candidato do partido de Romeu Zema (Novo), reeleito para o governo do estado, obteve apenas 0,82% dos votos válidos.

Os dados demonstram que, além de se manter na liderança, é possível ampliar a votação de Lula no segundo maior colégio eleitoral do país. 

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“Temos que conversar com as pessoas que anularam seu voto, com quem votou em outros candidatos no primeiro turno e falar sobre a importância deste momento e da derrota de Bolsonaro”, explica Luiza Travassos, do Movimento Brasil Popular e uma das coordenadoras dos comitês populares em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

Para ela, vencer o atual presidente significa impedir a legitimação da forma de fazer política de Jair Bolsonaro que, entre outras coisas, atrasou a compra de vacinas contra a covid-19.

Diante desse cenário, Luiza argumenta que, a busca por ampliar as alianças também precisa acontecer nos territórios, a partir de diálogos com lideranças comunitárias e associações de moradores.

“Temos que mobilizar quem ainda não está mobilizado para as eleições, da capital ao interior. Precisamos também massificar nosso trabalho nas periferias, que é onde de fato está a classe trabalhadora. É só em movimento, com o povo conversando com o povo, que vamos conseguir eleger Lula presidente”, concluiu.

Edição: Larissa Costa